José Dias Coelho foi assassinado há 55 anos

Os comunistas não esquecem<br>os seus heróis

O PCP homenageou na segunda-feira, 19, José Dias Coelho, dedicado militante comunista e talentoso artista plástico, no local em que há exactamente 55 anos foi assassinado pela PIDE.

José Dias Coelho foi assassinado à queima-roupa pela PIDE

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«De todas as sementes confiadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz nascer as mais copiosas searas.» Foi esta a legenda da última gravura de José Dias Coelho para o Avante! clandestino, relativa ao assassinato de Cândido Martins (Capilé) em Novembro de 1961, numa manifestação em Almada. Poucos dias depois, a 19 de Dezembro, foi o próprio José Dias Coelho a tombar aos 38 anos, varado pelas balas da PIDE. O crime foi perpetrado em Alcântara, na antiga Rua dos Lusíadas, actual Rua José Dias Coelho. O local está hoje assinalado com uma placa evocativa.

Foi precisamente aí que, ao final da tarde da passada segunda-feira, a Comissão de Freguesia de Alcântara do PCP homenageou uma vez mais este abnegado militante comunista, funcionário clandestino do Partido e talentoso artista plástico, cuja obra colocou ao serviço da causa que abraçou desde muito jovem. Na evocação, Paulo Raimundo, do Secretariado, garantiu que os tiros dos «“pides” e a crueldade do fascismo não conseguem fazer desaparecer o artista, não abalam o revolucionário, não apagam a chama do ideal pelo qual José Dias Coelho lutou de forma abnegada, intensa, criativa, determinada e com capacidades extraordinárias».

O dirigente comunista realçou particularmente as «capacidades extraordinárias na ligação aos outros, as capacidades únicas no trabalho em unidade, as capacidades que o revelaram um mobilizador nato, presente em todas as lutas políticas e estudantis dos anos 40 e 50» enquanto activista e dirigente do MUD Juvenil. Foram todas estas capacidades que possibilitaram a José Dias Coelho, e por seu intermédio ao Partido, contacto e ligação com as «mais importantes figuras democráticas da cultura e da arte» daquele tempo, valorizou Paulo Raimundo.

Opção plenamente assumida

Lembrando a adesão de José Dias Coelho ao Partido, no final dos anos 40, e a sua primeira prisão, pouco depois, o membro do Secretariado do Comité Central destacou a sua passagem à clandestinidade, opção que assumiu «de corpo e alma», pois «sabia ao que ia e acima de tudo por que ia». Como uma vez afirmou, «em toda a parte há um espaço de mim que se quer dar» e José Dias Coelho «deu e deu muito», sublinhou Paulo Raimundo.

Desde logo, «deixou para trás uma importante e significativa carreira artística». Mas, para a sua nova vida de revolucionário profissional, clandestino, «levou consigo a sua arte». Entre outras importantes tarefas que assumiu «com as suas mãos, conhecimentos, engenho», foi a montagem de uma oficina de falsificação de documentos para defesa dos militantes clandestinos, quer para o trabalho de organização quer para as relações internacionais do Partido.

Em inícios de 1961 passou a integrar a direcção partidária de Lisboa, com a responsabilidade do Sector Intelectual, onde mais uma vez sobressaiu a sua capacidade de «ligação aos outros»: alargou-se o prestígio e influência do Partido entre esta camada e com ela a própria oposição democrática ao fascismo.

Construir o futuro

A concluir, Paulo Raimundo afirmou que se a vida de José Dias Coelho terminou, de forma tão violenta e abrupta, há 55 anos, o mesmo não se passa com a luta que «honrou com o seu exemplo de firmeza serena, de convicções e de carácter, e que nós, com orgulho comunista, queremos guardar para sempre como património da nossa luta colectiva». Da parte das actuais gerações de comunistas, garantiu Paulo Raimundo, «aqui estamos e estaremos, recordamos os nossos, os nossos que são parte integrante da luta do nosso povo», pois «recordar e homenagear os nossos é recordar e homenagear a luta dos trabalhadores e do nosso povo. É isso que fazemos e faremos, homenageando o passado, honrando-o no presente, construindo o futuro».

Antes, Catarina Ângelo, da Comissão de Freguesia, proferiu também algumas palavras sobre a figura e o exemplo de José Dias Coelho.




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